O Mistério dos Fatos Desaparecidos
Autora: Isabel
Grupo-alvo: Crianças de idade pré-escolar e 1º ciclo
Personagens:
Rei
Alfaiate
Rainha
Personagens secundárias, por ordem de entrada em cena:
Lacaio
Ajudante do alfaiate
Ministros (3 falam, mais dois como figurantes)
Era uma vez, num país distante, um rei muito vaidoso, parecido com aquele da história “O Rei Vai Nu” que queria ter sempre fatos novos. Tinha um quarto de vestir onde havia pelo menos uma dúzia de espelhos e todos os dias de manhã o rei se mirava neles, de frente, por trás, de lado e achava-se bonito e elegante. Só depois saía do quarto, todo aperaltado, para os seus afazeres de rei que, como calculam, eram muitos. E durante o dia voltava muitas vezes, para mudar de roupa e fazer novamente o exame da elegância, porque detestava repetir toilletes e queria estar sempre bem vestido, de acordo com as ocasiões. Para se encontrar com o primeiro-ministro vestia-se de uma maneira, para almoçar com a rainha e os príncipes de outra e ainda mudava para ir visitar os seus súbditos, em alguma inauguração que fosse necessário fazer.
À noite havia sempre muitas festas e o rei não suportava não ser o mais bem vestido entre todos os convidados.
No palácio havia um alfaiate, que estava ao serviço da família do rei há muitos anos e que nunca tivera tanto que fazer. Foi preciso contratar-lhe ajudantes e mesmo assim tinham de trabalhar até tarde, às vezes pela noite dentro.
Cena I.
No quarto de vestir do rei. Há vários espelhos de corpo inteiro, dois sofás, um deles com chaise-long e um enorme guarda-fatos que domina a cena. Em cima da chaise long estão vários fatos. O rei, que está acompanhado por um criado, escolhe uma toilette e vai pondo fatos à sua frente, combina-os com sapatos, etc. Queixa-se:
Rei: Não tenho nada de jeito para vestir!
Alguém bate à porta.
Rei: (continuando a mirar-se no espelho) Quem é? O que querem?
Voz detrás da porta: Alteza, os embaixadores estão à sua espera. Está uma hora atrasado.
Rei: Já vou, já vou. (comentando para si próprio, numa voz mais baixa): Não posso aparecer de qualquer maneira na reunião com os embaixadores! Ainda vão dizer que este reino tem um rei mal vestido…
Voltam a bater à porta. O rei ordena ao lacaio, altivo e impaciente:
Rei: Vai dizer que parem de me importunar, pelo rei devem esperar o tempo que for necessário.
O lacaio vai até à porta, abre-a, conversa com alguém que está lá fora e vira-se para dentro, para o rei:
Lacaio: É o ajudante do alfaiate, ele vinha colocar o fato novo de V. Alteza no guarda-fatos.
Rei: Ah, esse podes deixar entrar.
Entra o ajudante do alfaiate, com um fato num cabide, protegido por um plástico transparente, deixando ver o colorido dos tecidos. O rei dirige-se para ele, aprecia o fato e decide.
Rei: É mesmo este que vou usar para a reunião com os embaixadores. Deixa aí, deixa aí.
O Ajudante entrega o fato ao lacaio e vai sair. O rei diz-lhe
Rei: Diz ao teu patrão que quero outro fato para o final desta semana. Para a recepção dos ministros, tenho de estar apresentável.
Ajudante: Sim Alteza, transmitirei as suas ordens ao Sr. Couture..
O Ajudante do alfaiate sai e fica novamente o rei com o lacaio.
O rei canta (enquanto coloca fatos à frente dele, os fatos circulam entre ele e o lacaio como se fossem bolas)
Eu sou o rei elegante.
Estar bem vestido é comigo.
Em qualquer ocasião sou galante.
Perto de mim os ministros parecem mendigos
Eles são uns invejosos
Estão-me sempre a aborrecer
Queixam-se, os ambiciosos
Que eu só quero aparecer
Dizem que não me interesso
Pelos assuntos do reino
Quem pode assinar despachos
Vestindo um fato de treino?
Eu sou o rei elegante.
Estar bem vestido é comigo.
Em qualquer ocasião sou galante.
Perto de mim os ministros parecem mendigos
O lacaio:
Ele é o rei elegante
Está sempre bem vestido
Gosta é de chás dançantes
Nem dá pelo alarido.
Cena II
Numa sala de trabalho do palácio, uma mesa de reuniões, à volta da qual estão sentados alguns Ministros e Notáveis do Reino. Ouve-se lá fora barulho de uma manifestação contra o rei e o governo.
Ministro 1: Meus senhores, isto não pode continuar assim, temos de fazer alguma coisa. Por causa da vaidade do rei ainda vai cair o governo… Ele chega atrasado a todo o lado porque se está a arranjar, interrompe as reuniões a meio para ter tempo de se vestir para o chá… As leis para aprovar acumulam-se na secretária dele. Oiçam lá fora o povo – as pessoas percebem que o reino está sem orientação. Vêm o rei sempre no meio do luxo e criticam-no, pois enquanto ele pensa no que vai vestir para mais um baile o povo fica cada vez mais pobre. Nós também vamos ficar mais pobres, porque vamos ficar sem emprego se não tomamos medidas!
Ministro 2: O ilustre colega tem razão. Devíamos falar com o rei e se ele não nos ouvir devemos fazer alguma coisa.
Ministro 3: Nós já tentámos falar com o rei. A mim recebeu-me no quarto de vestir e tenho ideia que não ouviu metade do que eu disse. Estava lá também o barbeiro, a fazer-lhe um corte novo!
Ministro 1: Eu acho que quem devia governar era a rainha. Ela preocupa-se muito mais com o povo e com o que se passa no reino.
Ministro 3: Sim, ela podia substituir o rei até o príncipe João atingir a maioridade.
Todos: Apoiado, apoiado.
Ministro 3 (continuando): O único problema que eu vejo é que ela gosta do marido e pode ter escrúpulos em tomar o lugar dele, pode pensar que é desleal.
Ministro 2: Eu proponho que vamos falar com a rainha e expor-lhe estas preocupações? Assim ficaremos a saber a sua opinião.
Todos: Vamos, vamos.
Vamos falar com a rainha
Ela é uma mulher sensata
Precisamos que nos diga
Se aceita ser candidata.
Já não suportamos tanta vaidade do rei
Dos assuntos importantes só sabe dizer não sei
Mas se lhe perguntamos qual é a última moda
Fala tanto, tanto, tanto que até nos incomoda.
As cores do Outono-Inverno tem na ponta da língua
Mas ignora por completo se o povo morre à míngua
Vamos falar com a rainha
Ela é uma mulher sensata
Precisamos que nos diga
Se aceita ser candidata.
E saem da mesa, em cortejo, cheios de determinação, dizendo uns para os outros: “vamos falar com a rainha, vamos falar com a rainha”.
Antes de saírem de cena passa a rainha que se encontra com aquele cortejo.
Dizem em coro, ao mesmo tempo que fazem uma vénia: A rainha!
Ela corresponde à vénia, cerimoniosamente.
O ministro 1 dirige-se-lhe:
Ministro 1: Minha rainha, nós os ministros precisamos muito de falar com V. Alteza.
Rainha: Sim? Concerteza que posso falar com os ministros do reino. Venham depois do chá aos meus aposentos e serão recebidos.
Despedem-se com nova vénia e saem de cena, a rainha por um lado os ministros por outro.
Quando fica silêncio a manifestação contra o rei ouve-se mais alta com palavras de ordem como: abaixo o rei, viva a república.
Cena III
Novamente no quarto de vestir do rei. Este procura no armário e não encontra o fato novo que o alfaiate lá devia ter deixado. Era para ele estrear em mais uma festa do palácio, nessa noite. Mas não está lá nenhum fato novo.
O rei chama imediatamente o lacaio a quem manda chamar o alfaiate para lhe pedir contas. Quando o alfaiate chega:
Rei: Sr. Couture, já estou a ficar muito aborrecido com isto. É a terceira vez que devia ter um fato novo aqui e não está cá nada. Diga-me o que se passa.
O alfaiate, intrigado, espreita para dentro do enorme roupeiro, entra mesmo lá dentro.
Alfaiate: Fui eu que deixei aqui mesmo, esta manhã, a sua roupa nova.
Rei: Deixou? Mas não vê que não está cá nada? Você está a tentar enganar-me? Você julga que eu estou maluco?
Alfaiate (à parte) Sempre foi um bocado maluco, mas isso agora não vem ao caso, eu tenho a certeza que deixei aqui o fato! (Voltando-se para o rei): Alteza, longe de mim pensar uma coisa dessas do meu rei. Mas juro-lhe que coloquei no roupeiro o fato de hoje. E também os outros que V. Alteza não encontrou. Só posso concluir uma coisa: alguém anda a roubar-lhe os fatos novos.
Rei: Claro, claro, e eu era um sapo! Quem é que o Sr. Couture acha que se atreveria a vir aos aposentos do rei roubar a roupa nova? Para não falar dos guardas que impediriam os ladrões, mesmo que alguém se atrevesse.
Alfaiate: Não sei como, Alteza, mas sei que o fizeram.
Rei: Oh, homem, não vê que isso é impossível!
Alfaiate (ofendido): V. Alteza está a desconfiar de mim e eu acho que não mereço isso. Já o meu pai trabalhou para o seu e sempre fomos leais à sua família. Mas se desconfia de mim dessa maneira só me resta ir embora.
Rei (apaziguador): Eu sei, eu sei que a sua família sempre foi leal e honesta para com a minha. Mas o que é que eu posso pensar? Só posso ver os factos e concluir a partir daí.
Alfaiate: E eu só posso despedir-me, se já não confiar em mim, mesmo sabendo que é uma grande injustiça. Só lhe peço que me dê a oportunidade de provar que tenho razão e que não sou culpado daquilo de que me acusa.
Rei: Mas como?
Alfaiate: tenho um plano. Oiça-me (e debruça-se para o rei, falando-lhe muito baixo, a explicar o plano)
Rei (depois de ouvir a proposta de plano do alfaiate) É uma ideia um bocado parva, mas em nome da amizade antiga que une as nossas famílias, vou aceitar esse plano. Mas aposto que não vamos descobrir nada.
Alfaiate: Eu aposto o contrário. Se V. Alteza ganhar a aposta pode despedir-me à vontade que eu não protestarei. Mas se eu ganhar a aposta também quero uma recompensa.
Rei: Podes dizer.
Alfaiate: Se eu ganhar a aposta quero que V. Alteza, a partir de agora, só me peça um fato novo por mês.
Rei: Que horror, e as minhas festas? E as minhas reuniões com embaixadores? Queres que fique um maltrapilho?
Alfaiate: (em aparte) Que exagerado, credo! (Voltando-se para o rei, em tom queixoso) Eu tenho trabalhado quase todas as noites e muitos fins-de-semana, por causa da roupa de V. Alteza e a minha mulher já me ameaçou que pede o divórcio se eu não lhe der mais atenção. Por favor, Alteza, não quero ficar sem mulher!
Rei: Arranja mais empregados!
Alfaiate: E vou à falência, não (?) com os ordenados, os impostos e a segurança social… Está bem, faço isso se V. Alteza ganhar a aposta. Mas se perder faz o que lhe peço. Afinal, se acha que não tenho razão o que tem a perder?
Rei (Reflectindo): Também é verdade!... Está bem, aceito a aposta.
Alfaiate: Óptimo, amanhã cá estarei para avançarmos com o plano.
Cena IV:
Novamente nos aposentos do Rei. Chega o alfaiate, com um fato novo pendurado no cabide. O rei está à espera dele. O alfaiate pendura o fato no roupeiro e ele e o rei escondem-se atrás dos sofás do quarto e esperam.
Há uns momentos de silêncio, em que se ouvem ruídos amortecidos, do exterior: barulho de carruagens, de criados que se movimentam nas suas tarefas de limpeza e arrumação, alguém a cantarolar enquanto trabalha no jardim. A certa altura ouvem-se passos, o rei e o alfaiate recolhem-se de modo a ficarem completamente escondidos. Mas os passos afastam-se, ouvindo-se ao mesmo tempo vozes a conversar e a rir. O rei, farto daquela posição, acocorado atrás do sofá, começa a sentir-se ridículo. Levanta-se e dirige-se ao alfaiate:
Rei: Estás a ver, não há ladrão nenhum, tu é que me andas a enganar. Vou sair daqui para fora, estou com fome e é hora do chá!
Alfaiate: Esperemos mais um pouco.
Mal ele acaba de falar, quando o rei vai novamente protestar, ouve-se barulho de passos e o puxador da porta começa a mexer-se. Escondem-se logo atrás dos sofás, fazem silêncio. Alguém, com uma capa larga com capuz que tapa o corpo e a maior parte da cara, entra no quarto em bicos dos pés, procurando não fazer barulho e dirige-se ao roupeiro, abre-o com muito cuidado e pára por momentos, à procura. Depois estende o braço e retira lá de dentro o fato novo. O rei e o alfaiate saltam ao mesmo tempo detrás dos seus esconderijos:
Rei e alfaiate: Ah ladrão, apanhámos-te!!
O ladrão vira-se para eles, surpreendido e assustado. O alfaiate e o rei ficam parados a olhar, incrédulos, para a figura encapuçada que tem o fato novo nas mãos. O capuz cai, para que os espectadores também possam ver quem é o ladrão.
Alfaiate: A rainha!
Rei: Mulher! O que fazes aqui? És tu o ladrão?
Rainha: Fui eu que tirei os fatos mas não sou ladrão! Estou a dar-te uma lição! Já não suporto a tua vaidade. Os nossos filhos e eu não conseguimos ter uma roupa nova, porque o alfaiate está sempre atarefado com as tuas encomendas! As pessoas pensam que tu és um péssimo rei, porque estás mais ocupado com a tua vaidade do que com os assuntos importantes do teu reino. E os teus ministros tentaram falar contigo, mas nunca lhes deste ouvidos. Tinha de fazer qualquer coisa antes que todo o povo se revoltasse e escolhesse outra pessoa para governar. Eu não quero ser rainha regente, quero ter a minha vida, e se isto continuasse não tinha outro remédio.
Rei: O quê? Querem que tu sejas regente? Como se atrevem? Exijo uma explicação.
Rainha: Tu é que tens de explicar como te atreves a gastar tanto tempo e dinheiro contigo e a esqueceres-te dos teus deveres.
Rei: Esquecer-me dos meus deveres? (Fica por um momento pensativo) Mas só um bocadinho… Eu pensava que não precisavam de mim, tenho uns ministros tão despachados, parece que sabem sempre o que é preciso fazer.
Rainha: Precisam da tua assinatura, pelo menos, não é? E tu às vezes perdes o tempo todo a escolher a caneta certa e esqueces-te de assinar… E se pudessem contar com a tua opinião também era bom, não era? Afinal tu és o mais bem pago!
Rei (Continuando surpreendido e com ar de quem nunca tinha pensado nestas coisas): Podiam-me ter dito, não? Porque é que não me disseste?
Rainha: E alguém consegue falar contigo? Ou te zangas ou te distrais. Só te interessas mesmo por ti próprio.
Rei: Eu sou assim?! (Vira-se para o alfaiate para procurar uma opinião mais favorável) Eu sou assim?!
O alfaiate, menos à vontade do que a rainha, acena afirmativamente com a cabeça. O rei olha de um para o outro e parece ir-se abaixo
Rei: Por isso é que tu quiseste fazer aquela aposta…
Alfaiate: Essa também foi uma razão, mas é verdade que a minha mulher ameaçou deixar-me se eu não passar mais tempo com ela…
Rainha: Só tu é que não vias como estavas a ficar chato (em aparte pode fazer daaah)
Rei: Também não precisas de ofender! Está bem, vocês têm razão. Mas era tão divertido… (Virando-se para o alfaiate) Fica descansado que vou cumprir a minha parte da aposta. A Germana vai ter o seu marido de volta.
Depois, dirigindo-se à rainha:
Rei: E tu vais ter o teu também, não te tenho dado muita atenção…
Rainha: Olha, dá atenção aos ministros e ao reino que a minha vida está muito boa assim como está. Eu não quero é ser obrigada a tomar o teu lugar por tu não fazeres o que deves.
A Rainha canta:
Eu não quero ser regente
Muito menos presidente
Por isso vê o que fazes
Senão ainda te arrependes
Não me venhas com cantigas
De romance e atenção
Cumpre lá os teus deveres
Trata da governação.
Alfaiate:
Oh que maravilha, vou poder descansar
Telefono já à Germana
Para ela se preparar
Vamos de fim-de-semana
Para bem longe daqui!
Estou mesmo farto de roupa
Nem queiram imaginar
Só penso em fatos de banho
E nós os dois a nadar.
Rei
Desculpa minha rainha
Peço desculpa ao meu povo
Prometo ocupar-me do reino
E deixar de ser vaidoso
Mas tenho de confessar
Que gosto de ser elegante
Será que se eu me comportar
Posso voltar a ser bem vestido?
FIM
.
Sábado, 20 de Fevereiro de 2010
Domingo, 26 de Julho de 2009
Os Amigos do Esquerdo no Parque de Campismo - Conclusão
Missão Cumprida
De manhã dormiram até tarde, cansados da aventura da noite anterior. Quando finalmente se levantaram já não parecia tão necessário explicar aos pais a sua parte na caça aos ladrões da recepção. O que deviam fazer? Mas esse foi um problema que ficou adiado, porque estavam a meio do pequeno-almoço quando ouviram chamar alegremente e viram chegar a correr, muito feliz, a Carolina.
- Maria! Pedro! João!
- Carolina!
E abraçaram-se, aos saltos, até caírem uns por cima dos outros. Felizmente o chão não era duro e quando se levantaram só foi preciso sacudir o pó e as ervas dos calções.
Então a Carolina explicou que tinha insistido tanto com os pais que eles, fartos de a ouvir, tinham decidido passar mesmo por Itália na sua viagem de férias, embora isso não estivesse nos seus planos iniciais. E agora ali estava ela, pronta para montar mais uma tenda naquele acampamento que já parecia mais uma aldeia portuguesa do que um parque italiano.
- Que pena não teres chegado ontem! – comentou a Maria – Nem sabes o que aconteceu. Apanharam uns ladrões.
A mãe da Maria que vinha a chegar ouviu e disse:
- Vocês nem sabem o que eu ouvi! Os ladrões eram dois homens portugueses! Acabei de saber, no minimercado estavam a comentar isso, até estou um bocado envergonhada, vejam lá. Ainda vão pensar que os portugueses são todos ladrões!
- Oh mãe, nem pensar, então nós até ajudámos a apanhá-los
- Ajudámos? – perguntou a mãe, pensando que ela estava a brincar.
A Maria assim que disse aquilo arrependeu-se logo. Ainda não se sentia com coragem para contar que saíra da tenda durante a noite, com o João e o Pedro, sabendo que andavam ladrões por ali. Ia ficar de castigo para o resto da vida, Meu Deus! Felizmente lembrou-se de uma saída:
- Então não foram os nossos carros, com os alarmes a tocar que chamaram a atenção do guarda do parque?
- Oh, mas isso não dependeu de nós. – disse a Mãe – Aliás ainda estou para saber como é que foram disparar logo os três alarmes.
Mas, como ninguém respondeu a esta pergunta, a conversa ficou por ali e todos preferiram interessar-se pela chegada da Carolina, com a família. Era necessário instalá-los e mostrar-lhes todas as coisas divertidas que havia para fazer.
Explicações à Carolina
Mais tarde, estendidos na relva, à sombra, na hora calma em que os adultos gostavam de dormir a sesta, é que os amigos contaram à Carolina a aventura que ela tinha perdido.
- E então, quando vimos os ladrões a sumirem-se para dentro da recepção, pusemos o plano do João em acção – contou o Pedro, entusiasmado.
- Mas fizeram o quê? Vocês não conseguiam apanhar os ladrões sozinhos! - comentou a Carolina.
- Pois não. Mas a ideia do João resultou. – continuou a contar a Maria – Ele veio a correr, descalço para não fazer barulho, até aos nossos carros que estavam ali muito perto. Nós sabíamos que todos tinham alarmes e que era só tocar nos carros com mais força para eles começarem a apitar. Depois ficou lá, se o guarda fosse ter aos carros em vez de ir para a recepção o João mostrava-lhe um papel que escrevemos em italiano, para ele perceber. Mas não foi preciso, o guarda viu logo os ladrões a saírem pela janela.
- Um papel?
- Sim – confirmou o João, tirando do bolso meia folha dobrada, um bocado amachucada. Desdobrou-a e todos viram lá escrito, numa letra muito desenhada:
Ladro ricezione
- Quer dizer ladrão na recepção. – explicou o João.
A Carolina ficou admiradíssima. Realmente tinha sido uma bela ideia.
- Como é que vocês descobriram essas palavras? – perguntou, curiosa.
- O meu pai tem um daqueles livros para turistas onde estão escritas frases que se utilizam nas viagens, em português e depois em italiano. Estas duas palavras estavam lá. Foi só juntá-las. – explicou o João, modestamente, embora no fundo estivesse bastante orgulhoso do seu plano.
- Genial! – rematou a Carolina.
- Que pena só teres chegado hoje. – lamentou a Maria - Perdeste a aventura.
- Quem sabe se não haverá mais – sugeriu o Pedro – Mas mesmo que não haja mais ladrões, há tanta coisa para fazer neste sítio que eu por mim não lhes vou sentir a falta! Carolina anda daí jogar à bola, estavas mesmo a fazer falta para podermos fazer duas equipas!
- Raparigas contra rapazes! Vamos lá! Prepara-te para levar uma abada!
Fim
De manhã dormiram até tarde, cansados da aventura da noite anterior. Quando finalmente se levantaram já não parecia tão necessário explicar aos pais a sua parte na caça aos ladrões da recepção. O que deviam fazer? Mas esse foi um problema que ficou adiado, porque estavam a meio do pequeno-almoço quando ouviram chamar alegremente e viram chegar a correr, muito feliz, a Carolina.
- Maria! Pedro! João!
- Carolina!
E abraçaram-se, aos saltos, até caírem uns por cima dos outros. Felizmente o chão não era duro e quando se levantaram só foi preciso sacudir o pó e as ervas dos calções.
Então a Carolina explicou que tinha insistido tanto com os pais que eles, fartos de a ouvir, tinham decidido passar mesmo por Itália na sua viagem de férias, embora isso não estivesse nos seus planos iniciais. E agora ali estava ela, pronta para montar mais uma tenda naquele acampamento que já parecia mais uma aldeia portuguesa do que um parque italiano.
- Que pena não teres chegado ontem! – comentou a Maria – Nem sabes o que aconteceu. Apanharam uns ladrões.
A mãe da Maria que vinha a chegar ouviu e disse:
- Vocês nem sabem o que eu ouvi! Os ladrões eram dois homens portugueses! Acabei de saber, no minimercado estavam a comentar isso, até estou um bocado envergonhada, vejam lá. Ainda vão pensar que os portugueses são todos ladrões!
- Oh mãe, nem pensar, então nós até ajudámos a apanhá-los
- Ajudámos? – perguntou a mãe, pensando que ela estava a brincar.
A Maria assim que disse aquilo arrependeu-se logo. Ainda não se sentia com coragem para contar que saíra da tenda durante a noite, com o João e o Pedro, sabendo que andavam ladrões por ali. Ia ficar de castigo para o resto da vida, Meu Deus! Felizmente lembrou-se de uma saída:
- Então não foram os nossos carros, com os alarmes a tocar que chamaram a atenção do guarda do parque?
- Oh, mas isso não dependeu de nós. – disse a Mãe – Aliás ainda estou para saber como é que foram disparar logo os três alarmes.
Mas, como ninguém respondeu a esta pergunta, a conversa ficou por ali e todos preferiram interessar-se pela chegada da Carolina, com a família. Era necessário instalá-los e mostrar-lhes todas as coisas divertidas que havia para fazer.
Explicações à Carolina
Mais tarde, estendidos na relva, à sombra, na hora calma em que os adultos gostavam de dormir a sesta, é que os amigos contaram à Carolina a aventura que ela tinha perdido.
- E então, quando vimos os ladrões a sumirem-se para dentro da recepção, pusemos o plano do João em acção – contou o Pedro, entusiasmado.
- Mas fizeram o quê? Vocês não conseguiam apanhar os ladrões sozinhos! - comentou a Carolina.
- Pois não. Mas a ideia do João resultou. – continuou a contar a Maria – Ele veio a correr, descalço para não fazer barulho, até aos nossos carros que estavam ali muito perto. Nós sabíamos que todos tinham alarmes e que era só tocar nos carros com mais força para eles começarem a apitar. Depois ficou lá, se o guarda fosse ter aos carros em vez de ir para a recepção o João mostrava-lhe um papel que escrevemos em italiano, para ele perceber. Mas não foi preciso, o guarda viu logo os ladrões a saírem pela janela.
- Um papel?
- Sim – confirmou o João, tirando do bolso meia folha dobrada, um bocado amachucada. Desdobrou-a e todos viram lá escrito, numa letra muito desenhada:
Ladro ricezione
- Quer dizer ladrão na recepção. – explicou o João.
A Carolina ficou admiradíssima. Realmente tinha sido uma bela ideia.
- Como é que vocês descobriram essas palavras? – perguntou, curiosa.
- O meu pai tem um daqueles livros para turistas onde estão escritas frases que se utilizam nas viagens, em português e depois em italiano. Estas duas palavras estavam lá. Foi só juntá-las. – explicou o João, modestamente, embora no fundo estivesse bastante orgulhoso do seu plano.
- Genial! – rematou a Carolina.
- Que pena só teres chegado hoje. – lamentou a Maria - Perdeste a aventura.
- Quem sabe se não haverá mais – sugeriu o Pedro – Mas mesmo que não haja mais ladrões, há tanta coisa para fazer neste sítio que eu por mim não lhes vou sentir a falta! Carolina anda daí jogar à bola, estavas mesmo a fazer falta para podermos fazer duas equipas!
- Raparigas contra rapazes! Vamos lá! Prepara-te para levar uma abada!
Fim
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contos para a idade escolar,
Férias do Verão
Sexta-feira, 17 de Julho de 2009
Os Amigos do Esquerdo no Parque de Campismo

(II Parte)
A Maria e o Pedro olharam para ele entre o assustado e o surpreendido. A Maria teve pena que não estivesse ali o Miguel que era um bocadinho mais velho e tinha sempre umas ideias mais sensatas para temperar os entusiasmos do João. Assim tinha de ser ela a fazer esse papel! Dispôs-se pois a ouvir o plano do João com uns ouvidos sensatos e não aceitar que ele os metesse em aventuras que os fizessem correr perigo.
Juntaram-se mais e, na voz secreta de expor planos, o João começou:
- Eles disseram que iam entrar em acção esta noite. Nós somos pequenos, por isso vamos fazer o seguinte… - aqui baixou a voz de tal maneira que seria impossível ouvi-lo mesmo a um passo de distância.
A Maria achou o plano suficientemente seguro para poderem pô-lo em prática, embora fosse um bocadinho assustador, por envolver passeios nocturnos. Puseram-se os três de acordo, lamentaram que o resto dos companheiros de aventuras não estivessem ali, porque ia ser muito mais divertido e depois foram-se preparar para experimentar a água do lago. O sol já tinha subido, o parque animara imenso e vinham dos lados do lago barulhos convidativos: gritinhos de prazer do barco que tinha um escorrega para a água, o chiar da cama elástica gigante onde saltavam grupos de miúdos, campainhas de bicicletas dos ciclistas que passeavam pela marginal (em italiano passeggiata, uma palavra que o Pedro achou fantástica).
O Plano do João em Acção
À medida que o dia acabava os três amigos iam ficando um bocadinho nervosos e por isso com dificuldade em parar. Mas lá conseguiram fazer tudo o que era preciso: tomar banho, arrumar as suas coisas para as tendas ficarem em ordem e ajudar a preparar o jantar pondo a mesa, como se tinham comprometido. Os pais ficaram bastante surpreendidos quando não quiseram ficar a jogar às cartas cá fora e preferiram recolher às tendas assim que acabaram de lavar e arrumar a loiça do jantar.
A Maria tinha uma tenda só para ela e pediram para dormir todos juntos, o que foi autorizado. Primeiro entretiveram-se um bocado a jogar à bisca, depois ficaram sentados, calados, à espera que se fizesse silêncio no parque. Não se queriam deitar porque tinham medo de adormecer e lá ia o plano por água abaixo.
Tarde na noite, ouviram barulho de ressonar vindo de uma das tendas dos adultos. Para além desse ruído o parque já estava muito silencioso e também escuro, só com as luzes de presença. Espreitaram para fora da tenda, a tentar localizar o guarda da lanterna, mas não estava à vista. Então, o mais levemente que conseguiram, saíram da tenda. Agarraram num rolo de papel higiénico e numa toalha, assim se fossem surpreendidos diriam que iam à casa de banho. E dirigiram-se para a recepção.
Aparentemente ali estava tudo calmo. Como eram pequenos, conseguiram esconder-se num recanto, entre a parede e a sebe que limitava a piscina, como o João previra. Instalados, perfeitamente invisíveis, mas com vista para a entrada da recepção, esperaram. Pouco tempo depois viram chegar furtivamente duas figuras todas vestidas de preto. Um deles tinha na mão qualquer coisa que parecia uma chave de mudar pneus. Dirigiram-se para a janela lateral da recepção, pararam a fazer qualquer coisa com a ferramenta, a janela abriu-se ligeiramente e eles içaram-se lá para dentro. Tudo isto num enorme silêncio, até que chegou até eles um grito abafado e um ruído seco.
Imediatamente puseram em acção a segunda parte do plano do João.
Um Barulho Infernal Interrompeu o Silêncio da Noite
Eram três da manhã, no Parque de Campismo do Lago de Garda e veio um barulho estridente do lado da entrada. O guarda da lanterna que andava a vigiar à beira do campo de jogos, correu para o sítio donde lhe pareceu que vinha o barulho. Os campistas instalados mais perto da entrada, mesmo os de sono mais pesado, acordaram, assustados, os bebés que dormiam também acordaram e começaram a chorar. Os mais atrevidos saíram das tendas para ver o que se estava a passar.
Quando o guarda estava a chegar perto do sítio de onde vinha o barulho, viu saírem a correr, de dentro do edifício da recepção, dois homens vestidos de preto, com um saco na mão. Carregou no botão de um aparelho que trazia com ele o qual, mais tarde, se percebeu que era para chamar a polícia e correu atrás dos ladrões. Alguns campistas, já mais acordados, foram ajudá-lo e em pouco tempo os dois homens tinham sido agarrados e dominados. O saco que traziam na mão tinha dinheiro, um computador portátil e o telemóvel do recepcionista. Claro que o peso dificultara-lhes a fuga, por isso tinham sido tão facilmente apanhados.
Entretanto a barulheira estridente continuava a ouvir-se até que o pai da Maria percebeu que eram os alarmes dos carros deles que se tinham activado. Desligou rapidamente o dele e foi chamar o pai do Pedro e o do João para fazerem o mesmo. Apesar de ainda haver muita confusão e barulho de conversas, sem o ruído alto e contínuo dos alarmes dos carros, finalmente começou a ser possível as pessoas entenderem-se. A polícia chegou e tomou conta das ocorrências, pedindo a todos que se acalmassem e recolhessem às tendas porque já não havia perigo.
Aos pais do Pedro, do João e da Maria começou a parecer estranho que eles fossem os únicos a não sair da tenda e foram espreitar lá para dentro.
- Têm um sono de pedra os nossos filhos, - comentou a mãe do João, enquanto abria o fecho da tenda e se baixava para olhar lá para dentro.
Mas ia desmaiando quando percebeu que não estava lá ninguém. Os outros pais viram-na entrar lá para dentro e começar a remexer nos sacos cama vazios. Ia começar uma preocupação sem fim quando, felizmente, viram chegar os três miúdos, vindos do centro da confusão, com um ar estafado mas satisfeito.
- Onde é que vocês estavam? – perguntaram os pais, em coro.
- Fomos ver o que se passava. Apanharam uns ladrões! – respondeu a Maria, por todos. Não era verdade, mas também não era completamente mentira e àquela hora não lhe apetecia nada ter de estar com explicações. Estava cheia de sono.
Foram todos aconchegar-se nos seus sacos cama, mas é claro que lhes custou muito a adormecer, porque estavam excitados e ainda um bocado assustados com o próprio atrevimento.
(Continua)
Juntaram-se mais e, na voz secreta de expor planos, o João começou:
- Eles disseram que iam entrar em acção esta noite. Nós somos pequenos, por isso vamos fazer o seguinte… - aqui baixou a voz de tal maneira que seria impossível ouvi-lo mesmo a um passo de distância.
A Maria achou o plano suficientemente seguro para poderem pô-lo em prática, embora fosse um bocadinho assustador, por envolver passeios nocturnos. Puseram-se os três de acordo, lamentaram que o resto dos companheiros de aventuras não estivessem ali, porque ia ser muito mais divertido e depois foram-se preparar para experimentar a água do lago. O sol já tinha subido, o parque animara imenso e vinham dos lados do lago barulhos convidativos: gritinhos de prazer do barco que tinha um escorrega para a água, o chiar da cama elástica gigante onde saltavam grupos de miúdos, campainhas de bicicletas dos ciclistas que passeavam pela marginal (em italiano passeggiata, uma palavra que o Pedro achou fantástica).
O Plano do João em Acção
À medida que o dia acabava os três amigos iam ficando um bocadinho nervosos e por isso com dificuldade em parar. Mas lá conseguiram fazer tudo o que era preciso: tomar banho, arrumar as suas coisas para as tendas ficarem em ordem e ajudar a preparar o jantar pondo a mesa, como se tinham comprometido. Os pais ficaram bastante surpreendidos quando não quiseram ficar a jogar às cartas cá fora e preferiram recolher às tendas assim que acabaram de lavar e arrumar a loiça do jantar.
A Maria tinha uma tenda só para ela e pediram para dormir todos juntos, o que foi autorizado. Primeiro entretiveram-se um bocado a jogar à bisca, depois ficaram sentados, calados, à espera que se fizesse silêncio no parque. Não se queriam deitar porque tinham medo de adormecer e lá ia o plano por água abaixo.
Tarde na noite, ouviram barulho de ressonar vindo de uma das tendas dos adultos. Para além desse ruído o parque já estava muito silencioso e também escuro, só com as luzes de presença. Espreitaram para fora da tenda, a tentar localizar o guarda da lanterna, mas não estava à vista. Então, o mais levemente que conseguiram, saíram da tenda. Agarraram num rolo de papel higiénico e numa toalha, assim se fossem surpreendidos diriam que iam à casa de banho. E dirigiram-se para a recepção.
Aparentemente ali estava tudo calmo. Como eram pequenos, conseguiram esconder-se num recanto, entre a parede e a sebe que limitava a piscina, como o João previra. Instalados, perfeitamente invisíveis, mas com vista para a entrada da recepção, esperaram. Pouco tempo depois viram chegar furtivamente duas figuras todas vestidas de preto. Um deles tinha na mão qualquer coisa que parecia uma chave de mudar pneus. Dirigiram-se para a janela lateral da recepção, pararam a fazer qualquer coisa com a ferramenta, a janela abriu-se ligeiramente e eles içaram-se lá para dentro. Tudo isto num enorme silêncio, até que chegou até eles um grito abafado e um ruído seco.
Imediatamente puseram em acção a segunda parte do plano do João.
Um Barulho Infernal Interrompeu o Silêncio da Noite
Eram três da manhã, no Parque de Campismo do Lago de Garda e veio um barulho estridente do lado da entrada. O guarda da lanterna que andava a vigiar à beira do campo de jogos, correu para o sítio donde lhe pareceu que vinha o barulho. Os campistas instalados mais perto da entrada, mesmo os de sono mais pesado, acordaram, assustados, os bebés que dormiam também acordaram e começaram a chorar. Os mais atrevidos saíram das tendas para ver o que se estava a passar.
Quando o guarda estava a chegar perto do sítio de onde vinha o barulho, viu saírem a correr, de dentro do edifício da recepção, dois homens vestidos de preto, com um saco na mão. Carregou no botão de um aparelho que trazia com ele o qual, mais tarde, se percebeu que era para chamar a polícia e correu atrás dos ladrões. Alguns campistas, já mais acordados, foram ajudá-lo e em pouco tempo os dois homens tinham sido agarrados e dominados. O saco que traziam na mão tinha dinheiro, um computador portátil e o telemóvel do recepcionista. Claro que o peso dificultara-lhes a fuga, por isso tinham sido tão facilmente apanhados.
Entretanto a barulheira estridente continuava a ouvir-se até que o pai da Maria percebeu que eram os alarmes dos carros deles que se tinham activado. Desligou rapidamente o dele e foi chamar o pai do Pedro e o do João para fazerem o mesmo. Apesar de ainda haver muita confusão e barulho de conversas, sem o ruído alto e contínuo dos alarmes dos carros, finalmente começou a ser possível as pessoas entenderem-se. A polícia chegou e tomou conta das ocorrências, pedindo a todos que se acalmassem e recolhessem às tendas porque já não havia perigo.
Aos pais do Pedro, do João e da Maria começou a parecer estranho que eles fossem os únicos a não sair da tenda e foram espreitar lá para dentro.
- Têm um sono de pedra os nossos filhos, - comentou a mãe do João, enquanto abria o fecho da tenda e se baixava para olhar lá para dentro.
Mas ia desmaiando quando percebeu que não estava lá ninguém. Os outros pais viram-na entrar lá para dentro e começar a remexer nos sacos cama vazios. Ia começar uma preocupação sem fim quando, felizmente, viram chegar os três miúdos, vindos do centro da confusão, com um ar estafado mas satisfeito.
- Onde é que vocês estavam? – perguntaram os pais, em coro.
- Fomos ver o que se passava. Apanharam uns ladrões! – respondeu a Maria, por todos. Não era verdade, mas também não era completamente mentira e àquela hora não lhe apetecia nada ter de estar com explicações. Estava cheia de sono.
Foram todos aconchegar-se nos seus sacos cama, mas é claro que lhes custou muito a adormecer, porque estavam excitados e ainda um bocado assustados com o próprio atrevimento.
(Continua)
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Terça-feira, 14 de Julho de 2009
Os Amigos do Esquerdo no Parque de Campismo
Esta história saiu por uns tempos, mas está de volta!
Vivam as Férias do Verão.
Junho é um mês espectacular: acabam as aulas, os dias são compridos, no ATL podem-se fazer intermináveis jogos de futebol, corta-matos, banhos de mangueira, guerras de balões de água e, quando a acção acaba, por efeito do cansaço ou do excesso de calor, pode-se ficar molemente à sombra, a jogar uma qualquer consola ou simplesmente a conversar. Depois vem Julho, e as colónias, com as manhãs de praia e as tardes de passeio ou, outra vez, futebol, volei, campeonatos disto e daquilo, que o desporto nunca é demais! Resumindo: o Verão nunca devia acabar, bem se podia passar Setembro para Dezembro, mas obviamente sem adiar o Natal!!!
Numa tarde de Julho, o André, o primo do Pedro, foi buscá-lo ao ATL e acabou por ficar um bom bocado a jogar futebol com eles. Entretanto chegou a avó do João, para ir buscar o João e a Maria e foram todos comer um gelado, numa esplanada perto de casa. Foi aí que o André começou a falar das férias que ia fazer com os amigos. Tinham o projecto de ir acampar, em grupo. Passavam primeiro pela Trofa, a terra de um dos seus amigos. Aí visitavam o Castro de Alvarelhos que o amigo, estudante de arqueologia, dizia ser um monumento interessantíssimo, construído na Idade do Bronze mas também com vestígios romanos e medievais. Ficavam uns dias a conhecer a Trofa no Verão e depois seguiam para um festival no Norte: música, calor e rio era um dos melhores programas em que podiam pensar!
Quando ele falou de campismo os mais novos interessaram-se imenso: nunca tinham acampado e achavam fantástica a ideia de martelar as espias da tenda, dormir dentro dum saco cama e andar sempre ao ar livre. A Maria acrescentava ainda o desejo
de jogar às cartas à noite, dentro da tenda, à luz de uma lanterna. Lera recentemente um livro onde uma cena assim era descrita e ficara cheia de vontade de experimentar.
A Avó observou o entusiasmo deles e ficou a matutar. Quando era mais nova ela tinha acampado e lembrava-se como era divertido. Na verdade até as noites de chuva ela recordava com uma certa nostalgia, embora na altura em que elas tinham acontecido não tivesse achado muita graça: o vento e a chuva, quando se está numa tenda, podem ser bastante desconfortáveis e até assustadores.
Podemos então dizer que o André foi responsável pelo que aconteceu naquele Verão. Porque a Avó falou com os pais do João e da Maria, sobre esta conversa e as suas memórias felizes. O Pedro azucrinou a cabeça aos pais, foi à Internet pesquisar parques de campismo (apareceram-lhe 677.000 resultados), prometeu que tomava conta das suas coisas e que nunca refilaria na hora de tomar banho. Finalmente, os pais pensaram que podiam ser umas férias divertidas, boas para variar da rotina dos hotéis ou dos apartamentos junto da praia. Organizou-se um grupo de campistas de tal forma animado que até o André teve pena de não poder participar, uma vez que já estava comprometido com os amigos da idade dele.
Como todas as famílias tinham planos anteriores, marcaram um período para dedicar ao campismo e combinaram encontrar-se em Itália, num parque de campismo à beira do Lago de Garda, num dia do final de Julho.
A ideia do Lago de Garda foi da mãe da Maria, uma grande apreciadora de viagens que gostava de destinos originais. Anos antes, com uns amigos muito queridos, ela passara um tempo em Veneza e tinha tido a oportunidade de dar um passeio até à
região dos lagos à volta de Brescia. Desde então, aquela paisagem impressionante ficara-lhe na memória e sempre pensara que queria lá voltar, para ter a oportunidade de
a conhecer melhor. Com o seu entusiasmo conseguiu contagiar os outros e o lago de Garda, o maior dos lagos, foi o destino escolhido.
O grupo era constituído pela família do Pedro, a família da Maria e a do João. Os pais da Carolina disseram que talvez conseguissem também ir alguns dias, mas não deram a certeza, por causa de outros projectos que já tinham. Cada família organizou a viagem à sua maneira, mas o objectivo era estar no Lago a 25 de Julho.
No fim do dia já tinham chegado todos e as tendas estavam instaladas. Juntaram as mesas, foram buscar umas pizzas a uma pizzaria ali perto e saborearam-nas com prazer.
- Mmm! – exclamou o João – As pizzas italianas são uma delícia!
- Também acho. – respondeu a Maria – É porque eles é que as inventaram. Nos outros países fazem cópias… Pizzas verdadeiras são as italianas!
- Eu não acho assim muito diferentes das portuguesas. - comentou o Pedro – Mas quando chegar à escola vou dizer a toda a gente que são espectaculares, melhores do que todas!
Depois de jantar, como era o sonho da Maria, jogaram às cartas à volta da mesa. Não foi dentro da tenda, como ela imaginara, porque a noite estava quente e estava-se melhor cá fora, mas foi muito divertido e só pararam quando os adultos se impuseram e não aceitaram mais adiamentos da hora de dormir.
Foram lavar os dentes ao balneário, o mais silenciosamente que conseguiram, como é da regras do campismo e cada um se recolheu à sua tenda, adormecendo rapidamente.
De manhã, o sol ainda estava baixinho, lá para os lados do lago quando o Pedro meteu a cabeça de fora da sua tenda, para ver se alguém já estava levantado. Viu a mãe da Maria a deixar em cima da mesa uma caixa com pão fresco que tinha ido buscar à padaria do campo, queijo e iogurtes para o pequeno-almoço.
-Vou dar um passeio à beira do lago, - disse ela. – Estão aqui coisas para comer, se quiseres serve-te, Pedro.
O Pedro agarrou num pão, pôs-lhe uma fatia de queijo dentro e pediu:
- Posso ir consigo? Apetece-me imenso ver o lago e o que existe ali à volta, ontem só consegui dar uma vista de olhos muito rápida.
A mãe da Maria aceitou, pediu-lhe só para deixar um bilhete aos pais, para eles saberem onde ele estava.
Seguiam já em direcção ao portão do parque que dava para a praia do lago, quando ouviram passos em corrida atrás deles. Eram a Maria e o João que os tinham visto sair e não queriam perder aquele passeio matinal.
Vivam as Férias do Verão.
Junho é um mês espectacular: acabam as aulas, os dias são compridos, no ATL podem-se fazer intermináveis jogos de futebol, corta-matos, banhos de mangueira, guerras de balões de água e, quando a acção acaba, por efeito do cansaço ou do excesso de calor, pode-se ficar molemente à sombra, a jogar uma qualquer consola ou simplesmente a conversar. Depois vem Julho, e as colónias, com as manhãs de praia e as tardes de passeio ou, outra vez, futebol, volei, campeonatos disto e daquilo, que o desporto nunca é demais! Resumindo: o Verão nunca devia acabar, bem se podia passar Setembro para Dezembro, mas obviamente sem adiar o Natal!!!
Numa tarde de Julho, o André, o primo do Pedro, foi buscá-lo ao ATL e acabou por ficar um bom bocado a jogar futebol com eles. Entretanto chegou a avó do João, para ir buscar o João e a Maria e foram todos comer um gelado, numa esplanada perto de casa. Foi aí que o André começou a falar das férias que ia fazer com os amigos. Tinham o projecto de ir acampar, em grupo. Passavam primeiro pela Trofa, a terra de um dos seus amigos. Aí visitavam o Castro de Alvarelhos que o amigo, estudante de arqueologia, dizia ser um monumento interessantíssimo, construído na Idade do Bronze mas também com vestígios romanos e medievais. Ficavam uns dias a conhecer a Trofa no Verão e depois seguiam para um festival no Norte: música, calor e rio era um dos melhores programas em que podiam pensar!
Quando ele falou de campismo os mais novos interessaram-se imenso: nunca tinham acampado e achavam fantástica a ideia de martelar as espias da tenda, dormir dentro dum saco cama e andar sempre ao ar livre. A Maria acrescentava ainda o desejo
de jogar às cartas à noite, dentro da tenda, à luz de uma lanterna. Lera recentemente um livro onde uma cena assim era descrita e ficara cheia de vontade de experimentar.
A Avó observou o entusiasmo deles e ficou a matutar. Quando era mais nova ela tinha acampado e lembrava-se como era divertido. Na verdade até as noites de chuva ela recordava com uma certa nostalgia, embora na altura em que elas tinham acontecido não tivesse achado muita graça: o vento e a chuva, quando se está numa tenda, podem ser bastante desconfortáveis e até assustadores.
Podemos então dizer que o André foi responsável pelo que aconteceu naquele Verão. Porque a Avó falou com os pais do João e da Maria, sobre esta conversa e as suas memórias felizes. O Pedro azucrinou a cabeça aos pais, foi à Internet pesquisar parques de campismo (apareceram-lhe 677.000 resultados), prometeu que tomava conta das suas coisas e que nunca refilaria na hora de tomar banho. Finalmente, os pais pensaram que podiam ser umas férias divertidas, boas para variar da rotina dos hotéis ou dos apartamentos junto da praia. Organizou-se um grupo de campistas de tal forma animado que até o André teve pena de não poder participar, uma vez que já estava comprometido com os amigos da idade dele.
Como todas as famílias tinham planos anteriores, marcaram um período para dedicar ao campismo e combinaram encontrar-se em Itália, num parque de campismo à beira do Lago de Garda, num dia do final de Julho.
A ideia do Lago de Garda foi da mãe da Maria, uma grande apreciadora de viagens que gostava de destinos originais. Anos antes, com uns amigos muito queridos, ela passara um tempo em Veneza e tinha tido a oportunidade de dar um passeio até à
região dos lagos à volta de Brescia. Desde então, aquela paisagem impressionante ficara-lhe na memória e sempre pensara que queria lá voltar, para ter a oportunidade de
a conhecer melhor. Com o seu entusiasmo conseguiu contagiar os outros e o lago de Garda, o maior dos lagos, foi o destino escolhido.
O grupo era constituído pela família do Pedro, a família da Maria e a do João. Os pais da Carolina disseram que talvez conseguissem também ir alguns dias, mas não deram a certeza, por causa de outros projectos que já tinham. Cada família organizou a viagem à sua maneira, mas o objectivo era estar no Lago a 25 de Julho.
Tendas e pizzas!
Foi muito divertido. Primeiro chegou o Pedro, com os pais. Ele queria escolher o melhor lugar para o grupo. Explicou logo na recepção que iam chegar uns amigos e pediu instalação onde coubessem as tendas dos outros. O senhor achou-lhe graça e deu-lhe um lugar óptimo, que comunicava directamente com a praia, quer dizer, com o sítio onde se tomava banho no lago e ficava perto do campo de jogos.No fim do dia já tinham chegado todos e as tendas estavam instaladas. Juntaram as mesas, foram buscar umas pizzas a uma pizzaria ali perto e saborearam-nas com prazer.
- Mmm! – exclamou o João – As pizzas italianas são uma delícia!
- Também acho. – respondeu a Maria – É porque eles é que as inventaram. Nos outros países fazem cópias… Pizzas verdadeiras são as italianas!
- Eu não acho assim muito diferentes das portuguesas. - comentou o Pedro – Mas quando chegar à escola vou dizer a toda a gente que são espectaculares, melhores do que todas!
Depois de jantar, como era o sonho da Maria, jogaram às cartas à volta da mesa. Não foi dentro da tenda, como ela imaginara, porque a noite estava quente e estava-se melhor cá fora, mas foi muito divertido e só pararam quando os adultos se impuseram e não aceitaram mais adiamentos da hora de dormir.
Foram lavar os dentes ao balneário, o mais silenciosamente que conseguiram, como é da regras do campismo e cada um se recolheu à sua tenda, adormecendo rapidamente.
De manhã, o sol ainda estava baixinho, lá para os lados do lago quando o Pedro meteu a cabeça de fora da sua tenda, para ver se alguém já estava levantado. Viu a mãe da Maria a deixar em cima da mesa uma caixa com pão fresco que tinha ido buscar à padaria do campo, queijo e iogurtes para o pequeno-almoço.
-Vou dar um passeio à beira do lago, - disse ela. – Estão aqui coisas para comer, se quiseres serve-te, Pedro.
O Pedro agarrou num pão, pôs-lhe uma fatia de queijo dentro e pediu:
- Posso ir consigo? Apetece-me imenso ver o lago e o que existe ali à volta, ontem só consegui dar uma vista de olhos muito rápida.
A mãe da Maria aceitou, pediu-lhe só para deixar um bilhete aos pais, para eles saberem onde ele estava.
Seguiam já em direcção ao portão do parque que dava para a praia do lago, quando ouviram passos em corrida atrás deles. Eram a Maria e o João que os tinham visto sair e não queriam perder aquele passeio matinal.

Um passeio à beira do Lago de Garda
À beira do lago estava-se realmente muito bem. A água do lago estava lisa, com uma cor azul acinzentada clarinha. Ao longe viam-se as montanhas da margem norte meio escondidas pela névoa matinal e no lado sul, ainda baixo, o sol criava um espaço mais brilhante que interrompia o nevoeiro. Quase não havia ninguém. No pontão, de onde se podia saltar ou descer para a água, estavam duas pessoas sentadas, em posições de ioga, voltadas para o lago com um ar muito concentrado. Passou um ciclista por eles que disse qualquer coisa em italiano: calcularam que fosse bom dia.
Influenciados por aquele ambiente extraordinariamente tranquilo, o Pedro, o João e a Maria começaram a falar uns com os outros em voz baixa. A mãe da Maria reparou e riu-se:
- Faz-vos bem esta paisagem, sim senhor! Ficam mais calmos… Mas é assim mesmo, as pessoas vêm aqui para sentir a manhã e nós não queremos perturbar isso.
Seguiram um bocado pelo caminho à beira do lago, acompanhando a mãe da Maria no seu passeio. Mas daí a pouco já chegava de calma para eles e decidiram voltar ao parque, acabar o pequeno-almoço, vestir os fatos de banho e descobrir um sítio onde se pudesse jogar à bola.
Influenciados por aquele ambiente extraordinariamente tranquilo, o Pedro, o João e a Maria começaram a falar uns com os outros em voz baixa. A mãe da Maria reparou e riu-se:
- Faz-vos bem esta paisagem, sim senhor! Ficam mais calmos… Mas é assim mesmo, as pessoas vêm aqui para sentir a manhã e nós não queremos perturbar isso.
Seguiram um bocado pelo caminho à beira do lago, acompanhando a mãe da Maria no seu passeio. Mas daí a pouco já chegava de calma para eles e decidiram voltar ao parque, acabar o pequeno-almoço, vestir os fatos de banho e descobrir um sítio onde se pudesse jogar à bola.
Uma Conversa Estranha na Calma da Manhã
Regressaram pois os três, entrando pelo portão do parque. Já havia mais gente acordada, mas o parque ainda estava bastante silencioso. Ao passarem ao lado de uma tenda pequena, ouviram vozes lá dentro e perceberam que falavam português. Pararam, curiosos, pensando que podiam encontrar mais uns companheiros de brincadeira. Sem querer escutaram uma conversa estranha:
- Mas não achas que aquilo fica guardado toda a noite? – perguntava alguém.
- Acreditas que neste sossego alguém consegue ficar acordado toda a noite?
- Entramos em acção esta noite?
- Cala-te, não sabes que nas tendas se ouve tudo lá para fora?
- Deixa, estamos em Itália, ninguém nos entende!
Os três miúdos que tinham parado sorridentes estavam muito espantados e, quando ouviram esta última frase, afastaram-se rapidamente, o mais silenciosamente que conseguiram.
Meio assustados, meio excitados, o João, o Pedro e a Maria procuraram um recanto tranquilo e vazio para conversarem sobre o que tinham acabado de ouvir.
- Meu Deus, vocês ouviram? – a pergunta da Maria era um bocado escusada, porque era óbvio que todos tinham ouvido, mas os outros desculparam-na porque compreendiam que ela se sentia, como eles, muito, muito intrigada.
- Eles estão a planear qualquer coisa.
- E é para esta noite!
- Mas o quê? – perguntou o João, acrescentando logo de seguida, com bastante lógica – Boa coisa não é, senão não estavam preocupados que alguém os ouvisse!
- Eles falaram de um sítio que fica guardado toda a noite. – disse a Maria – Ora que eu saiba, num parque de campismo o único sítio que fica guardado toda a noite é a recepção.
- Pois é - concordaram o Pedro e o João – e num parque como este também é um sítio sossegado, onde deve ser difícil o recepcionista da noite ficar acordado. Ele deve ter algum sofá ou cama onde se estende e dorme um bocadinho, não acham?
- Mas não é só o recepcionista. - afirmou a Maria – Ontem, quando fomos para dentro da tenda andava um homem com uma lanterna pelo parque, vocês não repararam?
- E se fossemos falar com ele? – sugeriu o Pedro – Podíamos contar o que ouvimos e dizer-lhe para tomar atenção à recepção esta noite.
- Ele é italiano, como é que nos entendemos com ele? Além disso, mesmo que conseguíssemos explicar-lhe, achas que ia acreditar em nós? Ainda passávamos por malucos ou pior, miúdos parvos. – era o João a falar.
Na verdade o João, o rapaz que queria ser detective, estava cheio de vontade de tentar resolver o mistério por si próprio. Só tinha pena de não ter trazido a lupa, pois não tinha imaginado precisar de fazer investigações. Pensara que nas férias haveria apenas mergulhos e jogos! Mas agora estava ali um mistério e eles tinham de fazer alguma coisa. Foi isso que propôs aos amigos:
- Eu acho que nós é que vamos ter de fazer alguma coisa. – disse – Acho que tenho um plano, oiçam.
(Continua)
- Mas não achas que aquilo fica guardado toda a noite? – perguntava alguém.
- Acreditas que neste sossego alguém consegue ficar acordado toda a noite?
- Entramos em acção esta noite?
- Cala-te, não sabes que nas tendas se ouve tudo lá para fora?
- Deixa, estamos em Itália, ninguém nos entende!
Os três miúdos que tinham parado sorridentes estavam muito espantados e, quando ouviram esta última frase, afastaram-se rapidamente, o mais silenciosamente que conseguiram.
Meio assustados, meio excitados, o João, o Pedro e a Maria procuraram um recanto tranquilo e vazio para conversarem sobre o que tinham acabado de ouvir.
- Meu Deus, vocês ouviram? – a pergunta da Maria era um bocado escusada, porque era óbvio que todos tinham ouvido, mas os outros desculparam-na porque compreendiam que ela se sentia, como eles, muito, muito intrigada.
- Eles estão a planear qualquer coisa.
- E é para esta noite!
- Mas o quê? – perguntou o João, acrescentando logo de seguida, com bastante lógica – Boa coisa não é, senão não estavam preocupados que alguém os ouvisse!
- Eles falaram de um sítio que fica guardado toda a noite. – disse a Maria – Ora que eu saiba, num parque de campismo o único sítio que fica guardado toda a noite é a recepção.
- Pois é - concordaram o Pedro e o João – e num parque como este também é um sítio sossegado, onde deve ser difícil o recepcionista da noite ficar acordado. Ele deve ter algum sofá ou cama onde se estende e dorme um bocadinho, não acham?
- Mas não é só o recepcionista. - afirmou a Maria – Ontem, quando fomos para dentro da tenda andava um homem com uma lanterna pelo parque, vocês não repararam?
- E se fossemos falar com ele? – sugeriu o Pedro – Podíamos contar o que ouvimos e dizer-lhe para tomar atenção à recepção esta noite.
- Ele é italiano, como é que nos entendemos com ele? Além disso, mesmo que conseguíssemos explicar-lhe, achas que ia acreditar em nós? Ainda passávamos por malucos ou pior, miúdos parvos. – era o João a falar.
Na verdade o João, o rapaz que queria ser detective, estava cheio de vontade de tentar resolver o mistério por si próprio. Só tinha pena de não ter trazido a lupa, pois não tinha imaginado precisar de fazer investigações. Pensara que nas férias haveria apenas mergulhos e jogos! Mas agora estava ali um mistério e eles tinham de fazer alguma coisa. Foi isso que propôs aos amigos:
- Eu acho que nós é que vamos ter de fazer alguma coisa. – disse – Acho que tenho um plano, oiçam.
(Continua)
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Segunda-feira, 16 de Fevereiro de 2009
Peça de teatro representada pelos pais na festa de finalistas do 4º ano (2007/2008)
Escrita a partir das histórias contadas por um grupo de pais e mães.
NARRADOR: Terminou a escola primária dos nossos filhos e nós quisemos contribuir para a celebração desta data. Um grupo de pais reuniu-se e pôs-se a pensar: como é que nós vemos estes quatro anos?
Toda a gente tinha alguma coisa para dizer:
- Ai, a entrada às 8H00 da manhã! - disse uma mãe.
- Ai, os lanches! – disse outra.
- Ai, os trabalhos de casa!
- Ai, a escolha da roupa!
- Ai, os bonés perdidos!
Mas depois alguém perguntou:
- Esperem lá, mas foram só ais? Só dificuldades?
- Só dificuldades? – exclamou outro pai – Nem pensar. Foi bom, muitas vezes até foi divertido. Cresceram tanto, os nossos miúdos!
E todos os pais voltaram a falar:
- Aprenderam a ler e a escrever e até já fazem poesias!
- Pensaram e resolveram uns problemas de matemática muito esquisitos que as professoras mandavam para casa!
- Nos desfiles de Carnaval iam tão giros!
- Portaram-se tão bem com os afilhados!
- Arranjaram tantos amigos!
NARRADOR: Então com todas as coisas que os pais disseram fizemos esta peça. É composta por algumas cenas do dia a dia destes 4 anos que nós vamos recordar com carinho.
Começamos com uma adivinha:
“Quem é, quem é, que à noite nunca se quer deitar e de manhã nunca se quer levantar? Vocês sabem, não sabem?”
Espera-se que as crianças respondam e depois o narrador continua:
E agora a primeira cena. São 7 da manhã e vejam o que acontece:
CENA 1:
Está uma pessoa (pode ser com um boné na cabeça, para se perceber que é um filho) recostada numa cadeira tapada com uma mantinha e a dormir. Chega a mãe que faz os gestos de abrir as cortinas e vai acordar o filho:
MÃE: Acorda, filho, são horas de levantar.
FILHO (Abre os olhos, esfrega-os, faz um ar ensonado): Quero dormir mais um bocadinho.
MÃE: Levanta-te, veste-te, vou preparar o pequeno-almoço
Quando a mãe se afasta o filho volta a encostar-se
A mãe volta e repete: “Vamos, levanta-te” e o filho levanta-se e finge que se está a vestir.
Logo que a mãe se afasta o filho recosta-se. Repete-se a cena um total de 3 vezes.
Entretanto está uma televisão em fundo a dar as notícias do trânsito da manhã e entre outras coisas diz “Está sinal verde na zona de Carnide”, o filho levanta-se e vai ter com a mãe a gritar:
FILHO: MÃE, mãe, depressa, vamos embora, está sinal verde em Carnide!!
Entra o NARRADOR:
É duro sair da cama às 7 da manhã. Mas depois há mais. Vejam a cena da roupa:
CENA 2:
MÃE: Pronto, filha, agora que já acabaste o pequeno-almoço vai acabar de te vestir.
FILHA: Mas eu já estou vestida.
MÃE: Tens a certeza? Queres mesmo levar esse top e esses calções?
FILHA: Sim, não me ficam bem?
MÃE: Ficam-te bem, mas achas que é mesmo a melhor roupa para hoje que é Janeiro e estão 5º?
FILHA: Mas eu não tenho frio.
MÃE (com um ar espantado) Ah bom!
NARRADOR: Esta é mais com as meninas, não é?
Mas antes de sair de casa de manhã ainda há outra cena! É o lanche:
CENA 3:
A mãe tem uma lancheira na mão. O filho tem a mochila às costas.
MÃE: Não te esqueças do lanche.
FILHO (ou filha, consoante tivermos actores femininos ou masculinos): O que é?
MÃE: É um iogurte.
FILHO: Não quero, quero antes um pão.
MÃE: È um pão.
FILHO: Não quero, antes uma fruta.
MÃE: É uma fruta.
FILHO: Antes quero um sumo…
MÃE: É um sumo.
FILHO: Antes quero bolachas…
A mãe finalmente senta-se, começa a comer o lanche e diz: está bom!
O filho aproxima-se, senta-se também e partilham a comida. Entra o narrador enquanto eles acabam a comida.
NARRADOR: Era depois de resolver o lanche que estava tudo pronto, não era? E lá iam os miúdos para a escola.
Depois à tarde às vezes também havia umas surpresas. Vamos ver:
CENA 4:
O filho tira um envelope da mochila e dá ao pai. O pai abre, desdobra, lê.
PAI: António, isto é um recado da professora para ir lá à escola falar com ela. O que é que aconteceu?
FILHO: Conheces o João?
PAI: Sim, aquele teu colega que também gosta muito de jogar à bola.
FILHO: Esse mesmo.
PAI: E o que é que isso tem a ver com o recado da professora?
FILHO: Sabes que ele não gosta de perder?
PAI: Sim??! Não sabia.
FILHO: Sabes que eu também não gosto de perder!
PAI: Sim?! Mas realmente isso tem alguma coisa a ver com o recado da professora?
FILHO: Eu acho que tem…
PAI: Como assim?
FILHO: É que eu e o João estávamos na aula a discutir por causa do jogo do recreio e ela disse: Vocês fazem-me perder a cabeça!! E depois mandou esse recado para casa. Eu acho que a professora também não gosta de perder.
(O PAI senta-se, com uma atitude tipo “fiquei sem palavras”)
NARRADOR:
Foram alguns incidentes! Agora até nos podemos rir deles, acabou por correr quase tudo bem.
Mas nestes quatro anos fomos sobretudo pais orgulhosos dos nossos filhos. Eles estavam sempre tão giros, nos teatros de Natal, nos desfiles de Carnaval! Às vezes exagerámos e fizemos cada figura, não foi? Ora vejam:
CENA 5
Está um grupo de miúdos a cantar em coro e 3 ou 4 “pais” com máquinas fotográficas a tirarem muitas fotos colocando-se nas posições mais estranhas, colocando-se muito em cima dos cantores e tapando a visão uns dos outros.
MIÚDOS-CANTORES: MARGARIDA, PEDRO, PAULA, CRISTINA E QUEM VIER E SE QUISER JUNTAR.
MÚSICO: PAULO
PAIS FOTOGRAFOS EXAGERADOS: ISABEL, JÚLIA E QUEM VIER MAIS E SE QUISER JUNTAR.
CANÇÃO PARA O GRUPO CANTAR NESTA CENA:
Toda a gente tinha alguma coisa para dizer:
- Ai, a entrada às 8H00 da manhã! - disse uma mãe.
- Ai, os lanches! – disse outra.
- Ai, os trabalhos de casa!
- Ai, a escolha da roupa!
- Ai, os bonés perdidos!
Mas depois alguém perguntou:
- Esperem lá, mas foram só ais? Só dificuldades?
- Só dificuldades? – exclamou outro pai – Nem pensar. Foi bom, muitas vezes até foi divertido. Cresceram tanto, os nossos miúdos!
E todos os pais voltaram a falar:
- Aprenderam a ler e a escrever e até já fazem poesias!
- Pensaram e resolveram uns problemas de matemática muito esquisitos que as professoras mandavam para casa!
- Nos desfiles de Carnaval iam tão giros!
- Portaram-se tão bem com os afilhados!
- Arranjaram tantos amigos!
NARRADOR: Então com todas as coisas que os pais disseram fizemos esta peça. É composta por algumas cenas do dia a dia destes 4 anos que nós vamos recordar com carinho.
Começamos com uma adivinha:
“Quem é, quem é, que à noite nunca se quer deitar e de manhã nunca se quer levantar? Vocês sabem, não sabem?”
Espera-se que as crianças respondam e depois o narrador continua:
E agora a primeira cena. São 7 da manhã e vejam o que acontece:
CENA 1:
Está uma pessoa (pode ser com um boné na cabeça, para se perceber que é um filho) recostada numa cadeira tapada com uma mantinha e a dormir. Chega a mãe que faz os gestos de abrir as cortinas e vai acordar o filho:
MÃE: Acorda, filho, são horas de levantar.
FILHO (Abre os olhos, esfrega-os, faz um ar ensonado): Quero dormir mais um bocadinho.
MÃE: Levanta-te, veste-te, vou preparar o pequeno-almoço
Quando a mãe se afasta o filho volta a encostar-se
A mãe volta e repete: “Vamos, levanta-te” e o filho levanta-se e finge que se está a vestir.
Logo que a mãe se afasta o filho recosta-se. Repete-se a cena um total de 3 vezes.
Entretanto está uma televisão em fundo a dar as notícias do trânsito da manhã e entre outras coisas diz “Está sinal verde na zona de Carnide”, o filho levanta-se e vai ter com a mãe a gritar:
FILHO: MÃE, mãe, depressa, vamos embora, está sinal verde em Carnide!!
Entra o NARRADOR:
É duro sair da cama às 7 da manhã. Mas depois há mais. Vejam a cena da roupa:
CENA 2:
MÃE: Pronto, filha, agora que já acabaste o pequeno-almoço vai acabar de te vestir.
FILHA: Mas eu já estou vestida.
MÃE: Tens a certeza? Queres mesmo levar esse top e esses calções?
FILHA: Sim, não me ficam bem?
MÃE: Ficam-te bem, mas achas que é mesmo a melhor roupa para hoje que é Janeiro e estão 5º?
FILHA: Mas eu não tenho frio.
MÃE (com um ar espantado) Ah bom!
NARRADOR: Esta é mais com as meninas, não é?
Mas antes de sair de casa de manhã ainda há outra cena! É o lanche:
CENA 3:
A mãe tem uma lancheira na mão. O filho tem a mochila às costas.
MÃE: Não te esqueças do lanche.
FILHO (ou filha, consoante tivermos actores femininos ou masculinos): O que é?
MÃE: É um iogurte.
FILHO: Não quero, quero antes um pão.
MÃE: È um pão.
FILHO: Não quero, antes uma fruta.
MÃE: É uma fruta.
FILHO: Antes quero um sumo…
MÃE: É um sumo.
FILHO: Antes quero bolachas…
A mãe finalmente senta-se, começa a comer o lanche e diz: está bom!
O filho aproxima-se, senta-se também e partilham a comida. Entra o narrador enquanto eles acabam a comida.
NARRADOR: Era depois de resolver o lanche que estava tudo pronto, não era? E lá iam os miúdos para a escola.
Depois à tarde às vezes também havia umas surpresas. Vamos ver:
CENA 4:
O filho tira um envelope da mochila e dá ao pai. O pai abre, desdobra, lê.
PAI: António, isto é um recado da professora para ir lá à escola falar com ela. O que é que aconteceu?
FILHO: Conheces o João?
PAI: Sim, aquele teu colega que também gosta muito de jogar à bola.
FILHO: Esse mesmo.
PAI: E o que é que isso tem a ver com o recado da professora?
FILHO: Sabes que ele não gosta de perder?
PAI: Sim??! Não sabia.
FILHO: Sabes que eu também não gosto de perder!
PAI: Sim?! Mas realmente isso tem alguma coisa a ver com o recado da professora?
FILHO: Eu acho que tem…
PAI: Como assim?
FILHO: É que eu e o João estávamos na aula a discutir por causa do jogo do recreio e ela disse: Vocês fazem-me perder a cabeça!! E depois mandou esse recado para casa. Eu acho que a professora também não gosta de perder.
(O PAI senta-se, com uma atitude tipo “fiquei sem palavras”)
NARRADOR:
Foram alguns incidentes! Agora até nos podemos rir deles, acabou por correr quase tudo bem.
Mas nestes quatro anos fomos sobretudo pais orgulhosos dos nossos filhos. Eles estavam sempre tão giros, nos teatros de Natal, nos desfiles de Carnaval! Às vezes exagerámos e fizemos cada figura, não foi? Ora vejam:
CENA 5
Está um grupo de miúdos a cantar em coro e 3 ou 4 “pais” com máquinas fotográficas a tirarem muitas fotos colocando-se nas posições mais estranhas, colocando-se muito em cima dos cantores e tapando a visão uns dos outros.
MIÚDOS-CANTORES: MARGARIDA, PEDRO, PAULA, CRISTINA E QUEM VIER E SE QUISER JUNTAR.
MÚSICO: PAULO
PAIS FOTOGRAFOS EXAGERADOS: ISABEL, JÚLIA E QUEM VIER MAIS E SE QUISER JUNTAR.
CANÇÃO PARA O GRUPO CANTAR NESTA CENA:
A Fisga - Rio Grande
Trago a fisga no bolso de trás
E na pasta o caderno dos deveres.
E na pasta o caderno dos deveres.
Mestre-escola, eu sei lá se sou capaz
De escolher o melhor dos dois saberes.
Meu pai diz que o Sol é que nos faz;
Minha mãe manda-me ler a lição
Minha mãe manda-me ler a lição
Mestre-escola, eu sei lá se sou capaz,
Faz-me falta ouvir outra opinião.
Eu até nem sequer sou mau rapaz,
Com maneiras até sou bem mandado.
Mestre-escola diga lá se for capaz,
P'ra que lado é que me viro. P'ra que lado?
Trago a fisga no bolso de trás
E na pasta o caderno dos deveres.
Mestre-escola, eu sei lá se sou capaz
De escolher o melhor dos dois saberes.
FINAL:
Quando a canção vai pela primeira vez em faz-me falta ouvir outra opinião os fotógrafos exagerados juntam-se ao grupo que já estava a cantar e terminam a canção todos juntos.
FINAL:
Quando a canção vai pela primeira vez em faz-me falta ouvir outra opinião os fotógrafos exagerados juntam-se ao grupo que já estava a cantar e terminam a canção todos juntos.
NARRADOR :
E pronto! Escolhemos estas cenas, como podíamos ter escolhido muitas outras que fizeram parte do nosso dia-a-dia dos últimos quatro anos. É dia a dia que todos crescemos, no corpo e na alma. Como viram nos slides que foram passando, quando aqui chegaram os nossos miúdos tinham cara de bebés e eram rechonchudos. Muitas aulas, muitas brincadeiras e muitos jogos de futebol depois estão uns finalistas espectaculares.
Queremos agradecer a todos os funcionários desta escola e muito especialmente aos professores que os acompanharam e os ajudaram a crescer. E vamos terminar com um poema que dedicamos aos nossos filhos.
POEMA (em que cada quadra é dita por um pai/mãe)
E pronto! Escolhemos estas cenas, como podíamos ter escolhido muitas outras que fizeram parte do nosso dia-a-dia dos últimos quatro anos. É dia a dia que todos crescemos, no corpo e na alma. Como viram nos slides que foram passando, quando aqui chegaram os nossos miúdos tinham cara de bebés e eram rechonchudos. Muitas aulas, muitas brincadeiras e muitos jogos de futebol depois estão uns finalistas espectaculares.
Queremos agradecer a todos os funcionários desta escola e muito especialmente aos professores que os acompanharam e os ajudaram a crescer. E vamos terminar com um poema que dedicamos aos nossos filhos.
POEMA (em que cada quadra é dita por um pai/mãe)
"Somos Pequenas Crianças"
Somos pequenas crianças
E já sabemos o que fazer
A cada dia que passa
Estamos sempre a aprender
Queremos divertir-nos
E com os amigos brincar
Queremos cantar e dançar
Todos os dias sem parar
Vivemos todos os minutos
Com muita alegria
Porque nós acreditamos
Na fantasia e na magia
A fantasia de sonhar
Com um bom futuro
A magia de abraçar
Um presente seguro
Somos pequenos
Mas somos inteligentes
Na escola aprendemos
Sempre bem contentes
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Festa de finalistas
Terça-feira, 22 de Julho de 2008
Férias Grandes
Os Amigos do Esquerdo vão de férias!
Descansar, acampar, piscinar, praiar, ver o mundo!
Voltamos quando os dias começarem a encurtar!
Desejamos a todos óptimas férias e prometemos, desde já, um mistério no parque de campismo!
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Férias do Verão,
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praia
Sexta-feira, 6 de Junho de 2008
Os amigos do esquerdo: Uma aventura em Carnide.
Esta história é só da filha (Carolina).
Num sábado de manhã, a Maria foi fazer um recado à mãe e no caminho viu uma placa que dizia, que ali à frente havia um buraco de dois metros, que antigamente servia para guardar os cereais. A Maria interessou-se por aquilo mas lembrou-se de que tinha de ir fazer o recado que a mãe pedira e então foi-se embora. Claro que não se esqueceu do que tinha visto e portanto resolveu depois ir outra vez ali para ver aquilo melhor. Na segunda-feira, no recreio a Maria contou o que tinha visto naquele sábado e os seus amigos e ela resolveram ir lá. Mas não sabiam como é que iam lá sem os seus pais. Pensaram, pensaram até que o Pedro pensou que o primo dele podia ir com eles. Quando o Pedro chegou a casa foi logo perguntar ao primo dele se ele queria ir com eles ver aquele buraco que parecia tão interessante. O primo que se chamava André disse logo que sim porque da ultima vez que tinha ido com eles a um sitio tinha-se divertido muito. Ao outro dia o primo do Pedro disse aos pais do Pedro que eles iam jogar à bola no parque mas quando disse isso estava a fazer figas.
Quando lá chegaram eles viram a tal placa a dizer para que servia aquilo antigamente. Quando olharam lá para baixo viram qualquer coisa a brilhar lá bem no fundo. De repente ouviram uma senhora a gritar:
- Roubaram-me!!! Roubaram-me!!! -repetia ela vezes sem fim.
Os meninos ao ouvir aquilo foram logo ver o que se passava e perguntaram à senhora o que se passava e ela só gaguejava:
- Rouba… Roubaram-me
- Roubaram-lhe o quê? Dinheiro? Jóias?
- Jói...Jóias. Mui…Muitas jóias!!!
- Mas não lhe roubaram mais nada?
- Não.
A Maria começou a raciocinar, juntando o que se tinha passado com o que eles tinham visto, e pensou que aquela coisa a brilhar podiam ser as jóias daquela senhora, e podiam ter sido roubadas na noite passada.
Como a Maria queria dizer aos amigos o que se tinha passado inventou uma desculpa para se irem embora dali. Quando já estavam bem longe da casa da senhora a Maria contou aos amigos o que tinha pensado e todos concordaram que era uma boa hipótese.
A seguir, puseram-se todos encostados ao vidro, ah pois, porque a Câmara tinha posto ali um vidro para ninguém cair lá para baixo. Eles continuavam a ver aquela coisa a brilhar mas não sabiam como é que podiam descobrir o que era aquilo. Entretanto o João disse:
-Aqui não estamos a fazer nada. Vamos mas é para casa e cada um pensa em hipóteses.
No dia seguinte eles ouviram dizer nas notícias que tinha havido vários assaltos no bairro. Quando ouviram aquilo foram logo dizer ao primo do Pedro para ele os levar outra vez lá para verem se ainda estava lá aquilo a brilhar. Para desilusão de todos já lá não estava nada, népia. Vendo aquilo o Pedro disse:
- Isto é impossível! Ainda ontem estava ali qualquer coisa e agora nem sinal.
Pensaram, pensaram até que o André disse:
-Eu sei que não devia, mas como foram vocês que me meteram nisto eu decidi que esta noite vimos para aqui espiar sem os vossos pais saberem e vemos o que acontece. Eles combinaram encontrar-se à porta de um café que era ali perto.
Nessa noite o primo do Pedro foi a cada uma das casas dos meninos e trouxe-os sem fazer barulho para os pais não ouvirem. Quando já estavam quase a chegar os miúdos começaram a pensar num sítio onde se pudessem esconder. Já escondidos, cada um no seu sítio esperaram até que acontecesse alguma coisa. Esperaram, esperaram até que ouviram um barulho vir do tal buraco. Quando ouviram aquilo viraram-se logo para lá para ver o que se passava. De repente ouviram dois homens a falar:
- Temos que esconder as jóias bem. -disse um deles
- Cala-te!!! Agora tira mas é essa porcaria do vidro com aquela ferramenta que tu tens!!!
A seguir de o homem tirar o vidro o outro agarrou numa escada muito grande e meteu-a lá dentro. Depois começou a descer. O outro homem foi logo a seguir mas este levava um saco do continente cheio até meio e parecia brilhar lá por dentro.
- Devem ser jóias. -disse o Pedro baixinho.
Quando eles tinham a certeza que os ladrões não os ouviam o André disse:
- Agora eu vou com o Pedro à esquadra de Carnide e vocês vão ficar aqui com o meu telemóvel e quando eles subirem filmam. Perceberam?
- Sim!!! - disseram eles em coro.
- Agora eu vou-me embora e tenham cuidado para não derem vistos. Adeus!!!
Passado algum tempo os miúdos ouviram passos de pessoas atrás deles e assustaram-se. Quando olharam para trás viram o pai da Maria e a mãe do João com ar de zangados e de aflitos ao mesmo tempo. Nesse momento a mãe do João disse:
- O que é que se passa aqui? -disse ela muito alto e com um tom de zangada.
Nesse momento ouviu-se um barulho vindo do buraco e o João disse baixinho:
- Eu explico depois agora baixem-se e dêem-me espaço para eu filmar.
A mãe e o pai não estavam a perceber nada mas baixaram-se à mesma.
Entretanto o André e o Pedro tinham chegado com a polícia e tinham-se escondido noutro sítio mais perto do buraco para quando os ladrões subissem atacarem.
Quando se viu que os ladrões já estavam cá fora os polícias apontaram-lhes as armas e levaram-nos para a esquadra e quando eles já não estavam com os polícias a mãe do João disse:
- Agora vamos nós ter uma converssinha senhor João…E eu também quero falar contigo André…
Depois nem queiram saber o que aconteceu a seguir, porque o João levou um sermão daqueles mesmo maus, e acreditem que os amigos dele também de certeza que levaram o mesmo, porque no outro dia, no recreio, não falavam doutra coisa senão da aventura que tinham tido e do sermão que tinham levado…
Carnide, 6 de Junho de 2008
Num sábado de manhã, a Maria foi fazer um recado à mãe e no caminho viu uma placa que dizia, que ali à frente havia um buraco de dois metros, que antigamente servia para guardar os cereais. A Maria interessou-se por aquilo mas lembrou-se de que tinha de ir fazer o recado que a mãe pedira e então foi-se embora. Claro que não se esqueceu do que tinha visto e portanto resolveu depois ir outra vez ali para ver aquilo melhor. Na segunda-feira, no recreio a Maria contou o que tinha visto naquele sábado e os seus amigos e ela resolveram ir lá. Mas não sabiam como é que iam lá sem os seus pais. Pensaram, pensaram até que o Pedro pensou que o primo dele podia ir com eles. Quando o Pedro chegou a casa foi logo perguntar ao primo dele se ele queria ir com eles ver aquele buraco que parecia tão interessante. O primo que se chamava André disse logo que sim porque da ultima vez que tinha ido com eles a um sitio tinha-se divertido muito. Ao outro dia o primo do Pedro disse aos pais do Pedro que eles iam jogar à bola no parque mas quando disse isso estava a fazer figas.
Quando lá chegaram eles viram a tal placa a dizer para que servia aquilo antigamente. Quando olharam lá para baixo viram qualquer coisa a brilhar lá bem no fundo. De repente ouviram uma senhora a gritar:
- Roubaram-me!!! Roubaram-me!!! -repetia ela vezes sem fim.
Os meninos ao ouvir aquilo foram logo ver o que se passava e perguntaram à senhora o que se passava e ela só gaguejava:
- Rouba… Roubaram-me
- Roubaram-lhe o quê? Dinheiro? Jóias?
- Jói...Jóias. Mui…Muitas jóias!!!
- Mas não lhe roubaram mais nada?
- Não.
A Maria começou a raciocinar, juntando o que se tinha passado com o que eles tinham visto, e pensou que aquela coisa a brilhar podiam ser as jóias daquela senhora, e podiam ter sido roubadas na noite passada.
Como a Maria queria dizer aos amigos o que se tinha passado inventou uma desculpa para se irem embora dali. Quando já estavam bem longe da casa da senhora a Maria contou aos amigos o que tinha pensado e todos concordaram que era uma boa hipótese.
A seguir, puseram-se todos encostados ao vidro, ah pois, porque a Câmara tinha posto ali um vidro para ninguém cair lá para baixo. Eles continuavam a ver aquela coisa a brilhar mas não sabiam como é que podiam descobrir o que era aquilo. Entretanto o João disse:
-Aqui não estamos a fazer nada. Vamos mas é para casa e cada um pensa em hipóteses.
No dia seguinte eles ouviram dizer nas notícias que tinha havido vários assaltos no bairro. Quando ouviram aquilo foram logo dizer ao primo do Pedro para ele os levar outra vez lá para verem se ainda estava lá aquilo a brilhar. Para desilusão de todos já lá não estava nada, népia. Vendo aquilo o Pedro disse:
- Isto é impossível! Ainda ontem estava ali qualquer coisa e agora nem sinal.
Pensaram, pensaram até que o André disse:
-Eu sei que não devia, mas como foram vocês que me meteram nisto eu decidi que esta noite vimos para aqui espiar sem os vossos pais saberem e vemos o que acontece. Eles combinaram encontrar-se à porta de um café que era ali perto.
Nessa noite o primo do Pedro foi a cada uma das casas dos meninos e trouxe-os sem fazer barulho para os pais não ouvirem. Quando já estavam quase a chegar os miúdos começaram a pensar num sítio onde se pudessem esconder. Já escondidos, cada um no seu sítio esperaram até que acontecesse alguma coisa. Esperaram, esperaram até que ouviram um barulho vir do tal buraco. Quando ouviram aquilo viraram-se logo para lá para ver o que se passava. De repente ouviram dois homens a falar:
- Temos que esconder as jóias bem. -disse um deles
- Cala-te!!! Agora tira mas é essa porcaria do vidro com aquela ferramenta que tu tens!!!
A seguir de o homem tirar o vidro o outro agarrou numa escada muito grande e meteu-a lá dentro. Depois começou a descer. O outro homem foi logo a seguir mas este levava um saco do continente cheio até meio e parecia brilhar lá por dentro.
- Devem ser jóias. -disse o Pedro baixinho.
Quando eles tinham a certeza que os ladrões não os ouviam o André disse:
- Agora eu vou com o Pedro à esquadra de Carnide e vocês vão ficar aqui com o meu telemóvel e quando eles subirem filmam. Perceberam?
- Sim!!! - disseram eles em coro.
- Agora eu vou-me embora e tenham cuidado para não derem vistos. Adeus!!!
Passado algum tempo os miúdos ouviram passos de pessoas atrás deles e assustaram-se. Quando olharam para trás viram o pai da Maria e a mãe do João com ar de zangados e de aflitos ao mesmo tempo. Nesse momento a mãe do João disse:
- O que é que se passa aqui? -disse ela muito alto e com um tom de zangada.
Nesse momento ouviu-se um barulho vindo do buraco e o João disse baixinho:
- Eu explico depois agora baixem-se e dêem-me espaço para eu filmar.
A mãe e o pai não estavam a perceber nada mas baixaram-se à mesma.
Entretanto o André e o Pedro tinham chegado com a polícia e tinham-se escondido noutro sítio mais perto do buraco para quando os ladrões subissem atacarem.
Quando se viu que os ladrões já estavam cá fora os polícias apontaram-lhes as armas e levaram-nos para a esquadra e quando eles já não estavam com os polícias a mãe do João disse:
- Agora vamos nós ter uma converssinha senhor João…E eu também quero falar contigo André…
Depois nem queiram saber o que aconteceu a seguir, porque o João levou um sermão daqueles mesmo maus, e acreditem que os amigos dele também de certeza que levaram o mesmo, porque no outro dia, no recreio, não falavam doutra coisa senão da aventura que tinham tido e do sermão que tinham levado…
Carnide, 6 de Junho de 2008
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