Quarta-feira, 23 de Janeiro de 2008

O João e a Maria: A Gritaria da Professora I Parte




Era uma vez dois amigos, a Maria e o João que também eram vizinhos. A Maria vivia no esquerdo de cima e o João no esquerdo de baixo, por isso brincavam muito na casa um do outro e, às vezes, quando estava bom tempo e os pais autorizavam, iam jogar futebol para a rua.
Era Setembro e a escola ia começar. A Maria, que tinha 7 anos, ia começar o 2º ano e o João, que tinha 6, ia entrar para aquela escola pela primeira vez. O João tinha tido um bocado de pena de deixar o jardim-de-infância, porque gostava muito da educadora e dos companheiros da sala, mas estava cheio de vontade de ir para a escola “a sério”. Apetecia-lhe aprender a ler, a escrever, a fazer contas, ter trabalhos de casa, livros e cadernos novinhos em folha. Estava um bocado preocupado porque isto de ir para uma escola nova, ainda sem amigos, sem conhecer a professora nem os cantos da casa, dá um bocado de preocupação, mas o facto de a Maria estar lá ajudava.
E de facto tudo correu muito bem desde o princípio. A professora chamava-se Maria João, e era muito simpática. Os colegas novos gostavam de jogar futebol e assim que tocava a campainha lá estavam a correr, bola debaixo do braço, para apanhar lugar na baliza. A Maria e umas amigas e uns amigos dela, do 2º B, também vinham para o jogo e faziam-se disputas renhidas.
Mas a professora Maria João estava grávida e, lá pelo final de Novembro, despediu-se dos meninos e das meninas, para ir ter o seu bebé e dedicar-se só a ele durante uns meses. O João pensou que tinha pena, ia ter saudades dela, e não sabia como seria a sua substituta, mas também pensou que a professora ia ficar aliviada, ela há um tempo que parecia muito pesada, com dificuldade em se movimentar. Devia ser um bocado incómodo andar com aquela barrigona.
No dia seguinte à despedida veio a nova professora. Era nova, bonita, magrinha, o contrário da redonda professora Maria João. Os alunos riram-se para ela e até ficaram um bocado excitados com aquela professora que tinha ar de irmã mais velha. Mas ela estava muito insegura, fez um ar muito sério, fechou a cara e esteve assim durante todo o tempo da aula. Nem o Miguel Mendes, o humorista da turma se atreveu a dizer uma piada. Nos dias seguintes o ambiente não melhorou muito. A professora Albertina queria os meninos e as meninas sempre em silêncio e bem comportados. Para conseguir isso punha uma tal cara de má que até fazia aflição. Porque ela era muito bonita e aquele ar zangado ficava-lhe esquisito. E gritava, gritava muito. A Inês coçava o nariz e a professora gritava-lhe para estar quieta. O Cláudio deixava cair o afia e ela sobressaltava-se e gritava-lhe para parar com aquilo. E assim por diante.
O pior foi que, com tanta gritaria, a turma começou a ficar farta. Os atrevidos deixaram de ligar àquilo e passaram a fazer o que lhes apetecia. Os tímidos ficavam calados mas já só ouviam metade do que a professora dizia. Alguns meninos até começaram a ter dores de barriga ou febres inexplicáveis às segundas-feiras, antes de ir para a escola e a verdade é que nunca tinha havido tantas faltas. Com tudo isto a bonita professora Albertina ficava cada vez mais insegura e gritava cada vez mais.
Um dia, estava a Professora a passar uns trabalhos no quadro, quando alguém atrás dela deixou cair uma caixa de material para o chão, com um grande estrondo. Ela virou-se imediatamente com um ar furioso, o Miguel Mendes não aguentou e desatou a rir, o Pedro, o João, a Inês, o Cláudio, contagiados, desataram também à gargalhada. Foi um desassossego, uma confusão na sala, uns a rirem, outros a tentarem apanhar aquelas coisas todas espalhadas pelo chão. Quando a confusão diminuiu, a professora Albertina, muito vermelha, disse que como castigo a turma ficaria sem intervalo.
Entretanto, no recreio, a Maria, a amiga e vizinha do João e a Carolina, que costumavam jogar com ele e com os outros amigos do 1º ano no intervalo, estranharam muito eles não terem aparecido.
- Já viste, não está ninguém do 1º B, - disseram uma à outra, espantadas.
- E se fossemos ver o que se passa? – sugeriu a Carolina.
Subiram as escadas até ao 1º andar, onde ficava a sala do 1º B. Encostaram o ouvido à porta fechada. Não se ouvia absolutamente nada. Olharam uma para a outra preocupadas. De repente apareceram atrás delas o Miguel Fonseca e a Mariana que as tinham visto subir e estavam também intrigados. Os quatro juntaram-se a um canto para decidir o que fazer.
- Não se ouve nada! – disse a Carolina.
- Terá acontecido alguma coisa? – interrogou o Miguel Fonseca.
- Alguma coisa aconteceu, de certeza, - disse a Maria - não sabemos é o quê.
- E se desmaiaram todos? – perguntou a Carolina.
A partir desta pergunta a imaginação deles disparou. Já viam os colegas desmaiados, todos caídos pelo chão, ou a dormir um sono envenenado ou a correrem um terrível risco, nem eles sabiam qual. E decidiram que só havia uma coisa a fazer: entrar na sala, salvar os colegas. (continua)

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