quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

A Minha Páscoa na Aldeia





Quando eu era pequena, da idade dos meninos e das meninas do Jardim de Infância e da Escola Primária, vivia em Lisboa, mas muitas vezes ia passar as férias da Páscoa a uma aldeia chamada Caféde, que fica perto de uma cidade chamada Castelo Branco, na Beira Baixa.

Como a Páscoa é na Primavera, nessa altura a aldeia estava muito bonita e cheirava muito bem porque havia muitas flores, malmequeres, flores amarelas que se podiam comer e outras de que não sei os nomes. Também já estava calor e podíamos vestir t-shirts e, às vezes, andar de sandálias. Eu, as minhas irmãs e os primos e primas adorávamos a Páscoa por causa de tudo isto (o calor, as flores, o cheiro, andar na rua) e também porque havia muitas festas e muitos doces.

Do que me lembro é que havia um dia em que se faziam muitos bolos: uns bolos especiais da Páscoa, com feitio de montes, uns espalmados enfeitados com umas garfadas e uns pequenos e redondos que se chamavam “esquecidos” e que eram os meus preferidos. Esses bolos faziam-se no forno de lenha que as minhas tias tinham no quintal da casa delas, que era enorme, parecia o forno da bruxa da história da casinha de chocolate, tão grande que ele era. Toda a gente ajudava e nós andávamos por ali à volta, à espera, para comer os primeiros bolos quentes que ficavam prontos. Para pôr e tirar os bolos do forno havia uma pá com um cabo muito comprido, quase maior que uma criança!

No Domingo de Páscoa, logo de manhã, vestíamos umas roupas muito bonitas e íamos todos à missa: as mães, os pais, as tias, os tios, as crianças... Quando voltávamos para casa punha-se a mesa, com uma toalha branca de linho, enfeitada com malmequeres que apanhávamos no quintal. Sobre a mesa ficavam os bolos, amêndoas e outros doces e guloseimas. Também havia licores e sumos. Era uma tentação.

Em todas as casas da aldeia se fazia a mesma coisa. E o padre saía da Igreja com as suas roupas especiais, acompanhado de uns meninos vestidos de branco que tinham uma espécie de cestos de metal, nuns vinha incenso a queimar e nos outros água. O padre levava na mão uma cruz (onde estava o Menino Jesus já crescido). Ele percorria a aldeia e visitava todas as casas, uma por uma. Entrava, abençoava as casas e as pessoas que lá estavam davam um beijo no Menino Jesus da cruz. Depois já se podia comer e beber aquelas coisas boas que estavam em cima da mesa.

Quando o padre saía de uma casa e ia para a casa dos vizinhos muitas crianças iam com ele, de maneira que nas últimas casas levava atrás dele imensas crianças, a correr e a saltar. Como o padre comia e bebia em todas as casas eu e as minhas irmãs achávamos que ele ainda ficava com uma grande dor de barriga de comer tanto. Nós também apanhávamos os doces que podíamos, claro.

Quando todas as casas tinham sido visitadas, o padre com o seu cortejo voltava para a Igreja, tocavam os sinos e toda a gente ia almoçar (mas eles ainda tinham fome?!!). O resto do dia era só brincadeira e mais brincadeira. Porque a seguir ao Domingo de Páscoa já havia pouco tempo de férias, estávamos quase a voltar para Lisboa e para a escola e era preciso aproveitar!

4 comentários:

Filipe Roque disse...

Quem são os leitores alvo deste espaço? Apenas para consumo interno da casa? Vou estar atento às próximas histórias. Na aldeia do meu pai, Donas, tenho memórias parecidas. Aquela pá do forno sempre me pareceu enorme. Visita o meu blog. Beijinhos.

João Rego (sobrinho) eheh disse...

Tia, vais ser a proxima Saramaga eheheh gosto mto de tiiii* beijinho, a Carol devia ir pa modelo :p

Maria Duarte disse...

Filipe:
Na verdade não sei bem quem são os leitores alvo! É uma coisa que me apeteceu fazer para descontrair no fim de uma dia de trabalho!
Olha que eu tenho visitado o teu blog, que acho muito interessante! Não deixo grandes comentários porque ainda não me habituei a escrever publicamente coisas pessoais, gosto mais de conversar ao vivo! Beijinhos

Maria Duarte disse...

João:
Saramaga não digo, mas já contei histórias para dormir a várias gerações, uma delas foste tu!
A Carol está gira, não está?
Beijinhos