À medida que o tempo aquecia e os dias de chuva ficavam mais raros, na escola o recreio animava. O futebol não podia faltar e era o jogo preferido do grupo de amigos do João e da Maria. Quando a campainha tocava o Pedro era geralmente o primeiro a chegar ao campo, rápido e com a bola debaixo do braço.
Pouco atrás vinham os outros, o João, o Miguel Mendes, o Cláudio que eram todos da mesma turma. E também chegava a Maria, com a Carolina, a Mariana, o Miguel Fonseca e outros, de outras turmas, mais rapazes do que raparigas, porque nem todas as meninas gostavam de futebol. As equipas organizavam-se rápido pois o intervalo era curto e tinha de se aproveitar o tempo, antes que a campainha tocasse a acabar com a diversão.
Isto era o que acontecia nos dias bons. Quando chovia e não se podia ir lá para fora tinha de se inventar outras coisas para fazer. Nesses dias os amigos do esquerdo e os seus companheiros muitas vezes acabavam a conversar, porque as brincadeiras dentro de casa não os entusiasmavam tanto.
Foi num desses dias que a Maria chamou a atenção dos outros para a mudança que tinha ocorrido no Cláudio e na Inês nos últimos tempos: eles andavam mais silenciosos, muitas vezes afastavam-se dos amigos do costume e não participavam da mesma maneira das brincadeiras nem dos jogos de futebol. O Miguel Fonseca disse que também já tinha reparado. O João, o Pedro e o Miguel Mendes pensando bem nas atitudes dos colegas acabaram por reconhecer que eles estavam diferentes há umas semanas.
- Eu noutro dia até os vi a falar com o Gustavo e o Mário, aqueles miúdos mal-educados do 4º ano, com quem quase ninguém se dá. – disse o João. - Achei esquisito, mas depois esqueci-me. Só me lembrei agora que vocês falam disso.
- Isso é mesmo muito esquisito – observou a Carolina – esses miúdos só ligam aos do 1º ano para gozarem com eles. Será que andam a gozar com o Cláudio e a Inês e é por causa deles que eles andam tão chateados?
Aquele grupo não era de se ficar quando tinha algum mistério pela frente e, principalmente, não era de se ficar quando achava que algum amigo estava com problemas. Por isso, logo ali, organizaram um plano para tentarem descobrir o que se estava a passar para o Cláudio e a Inês andarem tão em baixo. Decidiram que, nos próximos dias, em todos os intervalos se revezariam para estar sempre alguém a observar o Cláudio e a Inês e, assim, se o que os incomodava estava a acontecer na escola iriam perceber. Se não observassem nada de especial seriam obrigados a concluir que tinham problemas fora da escola, talvez com a família e, nesse caso, mais tarde pensariam como animá-los.
(continua)
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