Quarta-feira, 21 de Maio de 2008

Os Amigos do Esquerdo: Os maus colegas (II Parte)

(continuação)

A “Missão Espreitadela”, como eles chamaram à vigilância dos amigos com problemas, começou logo no dia seguinte, no intervalo da manhã. Só teve uma quebra quando o Pedro se esqueceu do turno dele, entusiasmado com um jogo de futebol renhido, em que a equipa dele estava a ganhar por 2-0 contra alguns dos melhores jogadores da escola. Ele ia lá deixar um jogo daqueles a meio! Ninguém lhe levou a mal, o João e os “Migueis” também lá estavam. Felizmente a missão não ficou muito comprometida, porque a Maria e a Carolina que nesse dia estavam com outras raparigas a jogar ao elástico, acabaram por estar com a Inês durante o recreio quase todo.

Não foi preciso muito tempo para perceberem que o que se passava estava relacionado com o Gustavo e o Mário. Tomando mais atenção os amigos perceberam que o Cláudio e a Inês tentavam evitar aqueles dois colegas mais velhos, sem sucesso. Volta e meia lá estavam os dois no caminho do Cláudio ou da Inês, com o ar de quem os espera para dar uma palavrinha, mas com uma atitude agressiva. Era impossível passar-lhes ao lado, eles fingiam que se desviavam mas voltavam a aparecer mais à frente. Trocavam uma conversa que os observadores não percebiam. Só viam o Mário e o Gustavo afastarem-se, às vezes com qualquer coisa na mão.
O grupo da “Missão Espreitadela” estava completamente surpreendido. É que não só perceberam que alguma coisa muito errada se estava a passar com os dois amigos, mas viram que aqueles colegas do 4º ano também faziam o mesmo a outros. Se não fizessem nada o recreio ia tornar-se um sítio muito desagradável para muitos meninos.

Reuniram-se no pátio, no recanto das conversas, um sítio um bocado recuado, onde se podia estar sem ninguém vir incomodar. Estavam indignados. A Maria pôs em palavras o que todos estavam a pensar:
- Não podemos deixar que isto continue!
- O problema é o que podemos fazer. Eles são mais velhos que nós. – disse o Miguel Fonseca.
- Eles são mais velhos mas nós somos mais! – disse o João – Temos é de pensar num plano, não sei bem o quê, mas se cada um tiver uma ideia talvez alguma seja de jeito.
- Ir falar com uma das professoras? – arriscou a Mariana
- E se ela não acreditar em nós? – perguntou a Carolina – Ainda nos ralham por estarmos a acusar colegas sem provas.
- Mas o Cláudio ou a Inês ou um dos outros podem dizer que nós estamos a falar verdade.
- Tu não vês que eles nem nos contaram a nós, que somos amigos deles. Eles devem ter vergonha de estarem a ser gozados ou qualquer coisa assim. Não vão querer falar disso à professora. - Os outros olharam com admiração para o Miguel Fonseca por ele ter feito uma observação tão profunda. E tiveram de reconhecer que provavelmente tinha razão, se quisessem falar do assunto o Cláudio ou a Inês já o teriam feito.
De repente a Carolina deu um salto que assustou toda a gente:
- Acho que já sei como podemos fazer. Oiçam a minha ideia.
O grupo inclinou-se para a frente, ficaram com as cabeças muito próximas e, numa voz secreta, a Carolina expôs o seu plano. Quando acabou havia um sorriso em todas as caras. Mais uma vez a Maria deu voz ao pensamento de todos:
- Que grande ideia. É mesmo isso que vamos fazer. Vamos combinar como é que preparamos.

Mas a combinação teve de ficar para mais tarde, porque a campainha tocou e lá foram a correr para a aula. Iam muito mais aliviados, porque achavam que tinham encontrado uma solução para pôr na ordem aqueles chatos e maus colegas.
(continua)

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